Novak Djokovic foi eliminado nas semifinais de Wimbledon nesta sexta-feira pelo italiano Jannik Sinner, número um do mundo, em um confronto que terminou em derrota por 6-4, 6-4 e 6-4. O sérvio, que buscava seu oitavo título no All England Club, deixou a quadra central sem chances reais de reação, mas saiu com a cabeça erguida após um torneio que considerou positivo em termos de atitude e determinação. A partida encerrou a campanha de Djokovic antes da grande final e adiou, mais uma vez, sua busca pelo inédito 25º título de Grand Slam.
Com 38 anos e prestes a completar 40 até o início de Wimbledon em 2026, Djokovic ainda projeta pelo menos mais uma participação no torneio londrino. Questionado sobre seu futuro no evento, foi direto: "Eu gostaria, pelo menos mais uma vez." A declaração carrega o peso de quem construiu uma das carreiras mais longevas e vitoriosas do esporte mundial - uma trajetória que, assim como a de atletas de outras modalidades que desafiam o tempo, inspira comparações com outros ícones do esporte de alto rendimento; para quem acompanha esse tipo de longevidade esportiva de perto, veja detalhes sobre o desempenho de Rebeca Andrade no Pan, outra atleta que demonstra como a excelência pode se manter em alto nível com o passar dos anos.
Uma campanha de dois momentos distintos
Djokovic chegou à semifinal após uma vitória épica sobre Felix Auger-Aliassime, terceiro cabeça de chave, nas quartas de final de terça-feira - um duelo que se tornou a semifinal mais longa da história de Wimbledon. Foi um desempenho que reviveu a melhor versão do sérvio: resiliente, combativo, tecnicamente impecável sob pressão. Contra Sinner, porém, o nível exigido foi outro. O italiano impôs seu ritmo desde o primeiro game e não deu ao veterano espaço para os ajustes que costumam definir grandes viradas.
"Estou orgulhoso do que conquistei três noites atrás", disse Djokovic após a derrota. "Provei a mim mesmo e aos outros que ainda consigo jogar no mais alto nível. Cheguei às semifinais de Wimbledon. Perder de virada para o melhor tenista do mundo... é o que é. É uma realidade que você precisa aceitar." A análise fria não esconde a frustração de quem está habituado a outro padrão de resultado - mas também revela a maturidade de um atleta que sabe ler seus próprios limites sem se render a eles.
A sombra dos 25 Grand Slams e a série de tropeços recentes
Djokovic está empatado com Margaret Court no topo da lista de maiores vencedores de Grand Slams de todos os tempos, com 24 títulos. Não conquista um major desde o US Open de 2023. Desde então, acumulou uma série de eliminações em fases decisivas: caiu nas semifinais dos quatro Grand Slams em 2024, perdeu a final de Wimbledon naquele mesmo ano e foi derrotado na final do Aberto da Austrália de 2025, ambas as vezes por Carlos Alcaraz. A semifinal desta sexta-feira, diante de Sinner, segue esse padrão de derrotas próximas ao objetivo máximo.
"Para 99% dos jogadores, chegar às semifinais de um Grand Slam seria um resultado excelente", reconheceu o sérvio. "Para mim, é bom, mas não o suficiente. Sou abençoado e amaldiçoado por estar acostumado a um padrão altíssimo de resultados e conquistas. É uma batalha interna mesmo - o que passei nos mais de 20 anos de carreira, quais sempre foram os objetivos, as expectativas, e tentar equilibrar tudo isso e ser um pouco mais humilde nesse sentido." O discurso é de quem ainda não fechou as contas com o esporte.
Olhos voltados para os Estados Unidos e o US Open
Com Wimbledon encerrado, Djokovic volta as atenções para a temporada americana em quadras duras, que culmina no US Open - torneio que ele já venceu quatro vezes e no qual foi eliminado por Alcaraz nas semifinais de 2025. O ciclo de Grand Slams ainda não terminou, e o sérvio certamente não tratará Flushing Meadows como uma despedida, mas como mais uma oportunidade real de escrever um capítulo histórico. A pergunta que persiste é se o físico e o calendário - cada vez mais disputados por uma geração mais jovem e em ascensão - permitirão que essa janela siga aberta por mais tempo.